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Tsara, de Michelle Louise Paranhos
Tsara, de Michelle Louise Paranhos

 

Estou encantada e muito agradecida por esse texto que recebi de Geraldo Medeiros Jr. a respeito de meu novo romance Tsara.

 Transcrevo abaixo para vocês :

 

"Breve comentário sobre o romance Tsara: Ir até o fim do mundo e depois voltar, de Michelle Paranhos – 2017"

 Por Geraldo Medeiros Jr.

 

Mais que um romance, Tsara é um marco para a antropologia. Sim, pois compreendemos muito pouco sobre a cultura cigana, riquíssima e ao mesmo tempo relegada ao esquecimento.

 

Personagens fortes e marcantes como Miro, Pedro De La Rosa e a sempre solícita Dolores (esta por quem desenvolvi uma especial simpatia), estes são apenas alguns que povoam a trama cheia de riquezas, segredos e mistério. O contraste, contradições e reflexão em relação à nossa própria cultura nos leva a ponderar sobre os anacronismos existentes. Talvez aí resida a resistência em compreendermos melhor esta complexa sociedade.

 

Foi impossível me envolver com a história sem que paradas frequentes fossem feitas para refletir sobre o tema. Tensão, paixão, traição, presentes em qualquer romance, ali emergem de maneira especial, de forma atraente, que me induziu aos suspiros, revoltou e causou expectativas a cada página lida.

 

Michelle Louise Paranhos, na minha opinião, é uma pioneira na área literária. Isso porque poucos escritores se aventurariam nessa jornada de pesquisa para abordarem um tema tão intrigante e desconhecido da massa. O imaginário cigano está cercado de mistérios, o ir e voltar numa jornada psicológica, às vezes enervante e ao mesmo tempo sedutora.

 

O elemento cigano tem um papel claro a desempenhar na narrativa movida pela oscilação entre a ordem e a desordem. Os ciganos deste romance parecem alimentar o motor da máquina da desordem em relação à ordem. Eles chegam para desequilibrar o status quo, fazem uso deste atributo que os caracterizam. A velhacaria e a esperteza, neste contexto, são equiparadas à malandragem que está no horizonte das ações de certos personagens. A mística cigana, por sua vez, se vale de suas qualidades femininas para romper com a harmonia das posições representadas pelos personagens que seduz e, com isso, também subverte a ordem. A ambiguidade representada por eles funciona como um dos catalisadores da ambiguidade entre ordem e desordem da sociedade em questão, representada sempre pela astúcia e porque não pela malandragem.

 

Em Tsara, a autora trabalha com a ideia de que os ciganos podem ser vistos ao mesmo tempo como estrangeiros e como protótipo de uma identidade nacional. Isso parece à primeira vista descabido, ou contraditório. Mas à medida que entendemos a personalidade de cada personagem, vemos que eles estão mais próximos de nós do que imaginamos.