Translate this Page

Rating: 2.7/5 (365 votos)


ONLINE
1



Partilhe esta Página

 

 


Entrevista Leda Selma
Entrevista Leda Selma

Ativista Cultural

Lêda Selma - Uma apaixonada pela alma da cultura

Escritora, integrante e ex-presidente da Academia Goiana de Letras/AGL fala sobre literatura, mídias digitais, arte e crítica literária

Lêda e o professor/poeta Gilberto Mendonça Teles, que será homenageado pela PoeArt Editora no livro “XI Coletânea Século XXI” pelos seus 90 anos de vida

Ela tem 17 livros publicados: oito de poemas, sete de contos/crônicas e dois ensaios. Alguns lançados na BA, DF, MG, SP (nesse último, no Centro Cultural São Paulo, a convite da prefeitura paulistana) e no Uruguai. Lêda Selma, integrante e ex-presidente da Academia Goiana de Letras/AGL, participou, com noites de autógrafos, em bienais internacionais do livro. Ativista cultural, é autora e coordenadora de projetos culturais e organizadora de cinco antologias. Recebeu os seguintes prêmios: Troféu Jaburu - Conselho Estadual de Cultura, em nome do governo, 2020; Grau Comendador Ordem do Mérito Anhanguera - Governo de Goiás, 2019; Comenda do Mérito de Cultura Júlio Vilela - Câmara Municipal de Goiânia, 2019; e Comenda Dom Pedro II - Corpo de Bombeiros-GO/2018.

Confira a entrevista com Lêda Selma 

Diante da crescente relevância das mídias digitais, que novo cenário se desenha para a literatura brasileira?

Esse é um caminho com bifurcações e atalhos. As mídias digitais ocupam todos os espaços, seu acesso é fácil e os resultados pretendidos são rápidos. O deleite está longe dos livros, e atrelado à internet e às redes sociais. Isso gera carência de tempo e disposição para leituras literárias, e excesso de dedicação aos jogos, conversas, brincadeiras, trocas de fake News, etc. São as vilãs, portanto, na baixa dos índices de leitura no Brasil. Contudo, há que se reconhecer: a divulgação de obras literárias, inclusive, para vendas, quer em sebos e estantes virtuais, quer em outras redes midiáticas, propiciou maior visibilidade, tanto a escritores consagrados, como a iniciantes, e acessibilidade fácil à leitura de suas obras. Se houver equilíbrio, creio, a literatura brasileira terá, nas mídias digitais, uma parceira e não, inimiga ou adversária.

A constante crítica de que somos um país de poucos leitores interfere de alguma forma em sua atividade?

Não interfere.  A cada livro e projeto literário lançados, busco parceria com escolas, cursos de letras e, dessa forma, os alunos, professores e convidados conhecem meu trabalho. Interajo com eles também em eventos literários escolares, oficinas criativas, bate-papos, encenações de textos, varais poéticos e, com um público maior, em projetos como: AGL na Calçada (acadêmicos autografando e distribuindo livros aos vizinhos, transeuntes, curiosos...); AGL na Rua - Festa de Letras e Artes (rua da entidade fechada para congraçamento das artes, em exposições de livros, telas, artesanato, fotografia, apresentações musicais com violino, sax, violas, cantores e corais); Poesia em Doses (poemas de vários autores nos muros e espaços vazios, em cartões postais, baralhos poéticos, no placar eletrônico do Estádio Serra Dourada); Poesia em Tela (poemas e artes plásticas nas paredes de hospitais); PoemArte - Galeria a Céu Aberto (poemas e pinturas em estacionamentos) e, quase sempre, entrelaçando literatura e artes plásticas. São várias as formas em que ofereço poesia, microcontos, por meio de canais mais fáceis e leituras mais curtas, a potenciais leitores, de todos os níveis, no afã de instigar-lhes o gosto pela leitura, não só da minha obra, também, das obras dos escritores que produzem literatura em Goiás.

O que a literatura de mais satisfatório lhe proporciona?

Arejamento mental, emocional, social, aprendizado, interação e força para sobreviver às artimanhas do dia a dia. A literatura acumula tudo de que preciso para realizar-me, salvar-me e viver saudavelmente. Todas as minhas conquistas auferi por obra e graça da literatura.

Qual é a função da literatura na sociedade?

Reputo socioeducativa sua função. A literatura é a alma da cultura. Ela estimula uma visão mais dinâmica e plural do mundo, provoca expansão de ideias, clareia o desconhecido, interpreta diversidades. O resultado, aquisição de conhecimentos. Caminho para inclusão social, geradora de questionamentos, assombros, estupefação, encantamentos, a literatura tem como artilharia as palavras e como front, o livro. Por isso, amedronta tanto os ignorantes que ostentam o poder. Alheamento à importância da literatura, dos escritores e do conhecimento é prática de ditadores: eles libertam armas, encarceram opiniões e queimam livros. E tornam-se dejetos da História! Mas a literatura sobrevive.

Um crítico literário deve analisar apenas um poema ou a obra como um todo?

Por óbvio, a análise de um único poema não dá ao crítico a visão completa da obra, mas, apenas, do que foi lido. Se se pretende estudar um autor, é fundamental analisar sua obra, por inteiro, penso. Os próprios prefácios ou apresentações de livros carecem de leitura acurada de todo o conteúdo a ser avaliado, do contrário, a avaliação terá o timbre da fraude opinativa.

Uma mensagem aos autores iniciantes.

Não acredito no escritor fabricado em oficinas literárias, mas sim, em escritores descobertos ou aperfeiçoados em oficinas literárias. Então, digo aos iniciantes que o dom de escrever é um privilégio e, portanto, deve ser acolhido com respeito, valorizado e aprimorado a cada texto. Muita leitura em verso e prosa. Senso de observação. Exercício da criatividade por meio da escrita. Trocas de ideias com escritores e amantes da literatura. Participação em eventos literários. E um alerta: o desânimo é um péssimo conselheiro, e o sonho, um parceiro demais incentivador. Trazer à luz o primeiro livro é um desafio da coragem, é não se intimidar diante das dificuldades. Determinação. Persistência. E asas calibradas, mesmo para voos rasantes, pois as alturas, quem sabe, estarão pouco mais à frente.

O que acha de nossa iniciativa de entrevistar/homenagear renomes de nossa literatura, fazendo, além de uma justa homenagem, um fomento entre o autor consagrado e o autor iniciante?

Parabenizo a Editora PoeArt pela relevante iniciativa. Além da homenagem, no formato entrevista, abre-se uma vitrine para maior divulgação de escritores de nomeada e dos já reconhecidos apenas em suas regiões. Também, especial estímulo aos iniciantes e apreciadores da literatura, esse contato com poetas e escritores de outros gêneros. Orgulha-me sobremodo participar de um projeto de tamanho relevo cultural. Obrigada.