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Entrevista Rita Procópio
Entrevista Rita Procópio

emas Polêmicos

Rita Procópio lança leituras dramatizadas de Rubi Coral

História da prostituta, personagem criada por Ernani Mazza, ganha capítulos semanais em vídeo narrados pela atriz.

“Parem de usar o nome ‘puta’ em vão, porque tá cheio de prostitutas ‘de família’ pelo mundo afora”

Rita Procópio é mineira de nascimento, mas de sua cidade natal pouco conhece, pois mudou-se para Barra Mansa com seus pais e outros 12 irmãos, aos 2 anos. Sua vida, seus amigos e trabalho ficaram, basicamente, entre Barra Mansa e Volta Redonda, onde também morou por algumas vezes. Nasceu em sintonia com o palco, embora como muitos da profissão nunca tenha de fato vivido da sua vocação.  Entre outras coisas, também escreve seus próprios textos para teatro, atua no jornalismo e, como hobby, escreve poemas. Fez faculdade de tecnologia em gestão ambiental e se pós graduou em meio ambiente e em didática do ensino básico e superior pela faculdade Anchieta de São Paulo, atualmente Anhanguera, para melhor focar seus textos na conscientização ambiental. Hoje, como colunista do OLHO VIVO, entrevista artistas de diversas áreas culturais.

Ernani Mazza trabalhou por anos no corpo docente de escolas, é também escritor e integrante da Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil. Foi seu professor de português no ensino médio. Rita e Mazza se reencontraram há algum tempo nas redes sociais.

A inspiração de transformar os textos de Ernani Mazza em vídeos veio de um texto que ele postou no feed dele, mas que não era da sua autoria. A partir daí, durante um bate-papo, ele se propôs escrever sobre a rotina de um bordel, tendo como base um determinado bordel de uma determinada cidade nos áureos tempos em que os bordéis eram a alternativa ao sexo sem compromisso que os homens encontravam para satisfazerem o que eles chamavam de “necessidades fisiológicas”. Dessa forma, nasceu Rubi Coral. Um personagem baseado em fatos, com uma história de vida muito parecida com aquela de muita gente. Algumas não escolheram essa profissão por acaso ou movidas pelo argumento de fazerem dinheiro rápido e dito “fácil”, mas foram parar nessa vida por necessidade de sobrevivência, quando expulsas de suas próprias casas, abusadas sexualmente por padrastos ou algum familiar, ou porque foram abandonadas ainda crianças em orfanatos e, não sendo adotadas, eram obrigadas a deixarem o local quando atingissem a maioridade. Coisas que ainda hoje acontecem muito. Na ficção, as prostitutas foram as vítimas de Jack o Estripador e também foram as assassinas em “Aileen Wuornos”. Na vida real, muitas delas aqueceram e aquecem ainda a economia das cidades, os leitos e os relacionamentos de políticos e de diversas celebridades.

Rubi Coral foi uma delas, e por meio da mente criativa de Ernani Mazza sua história é narrada por Rita Procópio, em mini capítulos de leituras dramatizadas em vídeo.

Confira a entrevista com Rita Procópio

Quem é Rubi Coral?

Rubi é como diversos personagens ao longo da história de vida de muitas mulheres: Quando contou para a mãe que seu padrasto a molestava sexualmente, a mãe teve que se posicionar. E o fez em detrimento do padrasto. Para não perdê-lo, expulsou a filha de casa.

Como está sendo a experiência em fazer uma prostituta?

Na verdade eu não faço uma prostituta. Eu faço uma narradora de história. Eu conto a história de Rubi com relação à nova profissão abraçada por ela.

E como está sendo narrar a história dela?

Tô achando uma delícia. Gostaria muito que fosse num palco de verdade, mas a gente faz do jeito que pode, né? O que não podemos é parar. Está sendo também um retorno no tempo pra mim. Recordando a cada capítulo o personagem delicioso que fiz no teatro, há muitos anos, um travesti dono de um bordel.

Por que não uma interpretação em vez de uma leitura dramatizada?

Hummm... Por vários motivos, entre eles, pelo fato de eu não ter no momento nem o básico para fazer de outra forma, como um local físico para gravar sem interrupção, porque eu moro no quarto de uma casa onde cuido de uma acamada à noite, mas se estou em casa durante o dia, ela me chama a toda hora. Ainda que não seja minha obrigação, eu não me sentiria bem se não a atendesse. Depois, eu precisaria também de um espaço onde pudesse ter os cenários propostos pelas cenas narradas. Eu precisaria de figurino. Eu precisaria de material humano para gravar com as tomadas de cenas justas. Eu precisaria de tempo hábil para assimilar o texto... Enfim, tantas coisas que nos levou a optar por um estilo parecido com as eventuais leituras dramatizadas.

Você usa teleprompter?

Imagina... Teleprompter é um luxo para mim, que nem um tripé de celular tenho. Meu teleprompter é um notebook que já tá pra lá de Marrakech e eu tento adaptar o celular em cima dele. Porque nem dá pra baixar um teleprompter gratuito online neste notebook não. Ainda não achei uma posição justa para o celular. É cada tombo que o coitado leva, que nem sei se ele vai resistir até o último capítulo da série (risos). E pior que às vezes cai durante a gravação, me obrigando a repetir. Mas agora que o comércio abriu, eu comprei uma coisinha nessas lojas chinesas - pobre não tem como boicotar a China não (risos). Acho que essa coisinha deve funcionar melhor para posicionar o celular com mais segurança a partir do próximo capítulo.

Você grava e edita no celular?

Sim. Em um aplicativo de edição que não tem recurso de melhorar a imagem gravada. Mas meu celular não é bom de imagem e nem comporta um aplicativo melhor, então o produto final não é grande coisa também, mas como eu disse a gente faz do jeito que dá. Se for esperar por melhores condições tecnológicas, não vou fazer nada, né?  

A Rubi entrou nessa profissão por necessidade. Mas ela aprendeu a gostar do que faz ou você acha que ela ainda pode aprender a gostar?

Eu acho que o fato dela querer ficar como fixa do Epaminondas deixa margem pra pensar que ela não se adaptou ainda à nova profissão. Porque o que ela deu a entender na parte 4 é que ela quer que ele monte uma casa pra ela. Então eu acho que dificilmente ela vai gostar e ficar fazendo isso pra sempre, porque eu acho que pra fazer isso pra sempre tem que gostar muito sim e não acho que esse seja o caso da Rubi. Mas ainda é cedo pra dizer com certeza.

Ela vai mesmo ter um caso com a Princesa?

Eu não sei. O Ernani vai colocando no papel à medida que vão aparecendo as ideias. Normalmente ele escreve o capítulo dois ou três dias antes da gravação. Eu gravo toda segunda-feira, que é quando tenho um tempinho livre. Acho que nem ele tem ideia ainda de como finalizar isso, mas eu, particularmente, estou torcendo pra ela ter um caso e se apaixonar pela Princesa.  Eu torço pra elas ficarem juntas, porque acho que seria interessante levantar o tema da bissexualidade e até da homofobia.

A história de Rubi carrega vários temas polêmicos atualmente em pauta, como a questão do abuso sexual, violência contra a mulher, a submissão da mulher, o preconceito, o machismo, a homofobia... E acho que vem mais tema chumbo grosso por aí, mas na questão do amor entre duas pessoas do mesmo sexo você acha que seria legal colocar aí o conflito pelo qual passa a pessoa que nunca viveu essa experiência?

Sim. Concordo com você. Acho que cabe aí colocar esse conflito em pauta. A dificuldade da pessoa aceitar que está vivendo uma paixão numa nova versão, de aceitar se abrir para coisas novas. De se descobrir dentro de um contexto do qual jamais se imaginou... Tudo isso gera um conflito interno sim. Mas não sei se o Ernani pensa em colocar isso em pauta. Realmente não sei. O que vem por aí é também um mistério para mim.

e você pudesse mandar um recado no sentido de desmitificar a prostituição em nome da Rubi, qual recado seria?

Eu diria para as pessoas pararem de usar o nome “puta” em vão, porque tá cheio de prostitutas “de família” pelo mundo afora. Meninas novinhas que saem com velhos babões em troca de uma joia ou um celular novo. Vai me dizer que não estão vendendo o corpo? Homens que vão atrás de uma relação homossexual e quando saem dali destilam seu ódio e preconceito. É uma sociedade hipócrita essa nossa. Todos eles são tão prostitutas quanto Rubi. A diferença é que pessoas como Rubi assumem isso. Elas se mostram, enquanto eles se escondem através da pinta de bom moço ou de boa moça. Então, guardem sua hipocrisia pra vocês mesmos! 

O que vem por aí no próximo capítulo?

Ah, isso eu sei mas é segredo. Imagina se vou contar? Já é difícil obter visualização, se eu contasse antes, aí seria pior, é? Muita gente fala que abriu o vídeo, que assistiu, mas esquecem que você tem como saber se estão dizendo a verdade. Bom, não importa. Eu continuo fazendo. Tenha um ou mil espectadores. Mas posso adiantar que muita coisa vai acontecer nessa festa que está tendo no bordel. Mas é surpresa. Assiste lá na próxima sexta-feira.

Pra terminar, deixe o link para o canal da Rubi.

om prazer. Lembrando para as pessoas se inscreverem no canal e acionarem o sininho para serem notificadas de novos capítulos, e agradecendo os já inscritos. Todo final de tarde de sexta-feira, um capítulo fresquinho pra vocês, pessoal! Inscrevam-se, assistam! Ajudem um artista pobre a mostrar seu trabalho. Namastê pra todo mundo! 

> Clique aqui para acompanhar as histórias da Rubi Coral