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Entrevista Reynaldo Valinho Alvarez
Entrevista Reynaldo Valinho Alvarez

Reynaldo Valinho Alvarez ganha homenagem em coletânea da PoeArt

Escritor premiado no Brasil e no exterior fala sobre literatura, mídias digitais, arte e cultura.

Reynaldo Valinho Alvarez e sua mulher, Maria José de
Sant´Anna Alvarez (que já morreu), no Pen Clube do Brasil, em companhia de integrantes da Academia Brasileira de Letras (que também já morreram) Ivan Junqueira e Antônio Olinto 

Reynaldo Valinho Alvarez é homenageado na “VII Coletânea Viagem pela Escrita” (PoeArt Editora, de Volta Redonda), pelos seus 90 anos e conjunto de obra. Nascido em janeiro de 1931 na cidade do Rio de Janeiro, onde reside, fez os cursos de Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração. Exerceu o magistério, a publicidade, a assessoria de comunicação, a coordenação da televisão e do rádio educativos em âmbito nacional, a editoração e a colaboração na imprensa. Participou de mais de 80 coletâneas de poesia, ensaio e ficção, e de sete festivais de poesia realizados na Suécia, na República da Macedônia (duas vezes), no Canadá (Québec)) e na Espanha (Las Palmas de Gran Canaria, Santiago de Compostela e Salamanca). Teve poemas traduzidos em inglês, sueco, italiano, francês, espanhol, galego, corso, persa e macedônio. Na Suécia, também foram publicados poemas seus traduzidos para o espanhol e o persa. Alguns outros foram traduzidos e publicados em antologias de poetas brasileiros na França, Itália e Espanha.

Incluído nas principais enciclopédias e antologias da literatura brasileira contemporânea, reúne vasta fortuna crítica. Conquistou o Prêmio Golfinho de Ouro de Literatura 2002 do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, pelo conjunto da obra; o Jabuti de Poesia 1998, com o livro “Galope do tempo”; e o Prêmio Cruz e Sousa de Poesia 1997/1998, com o livro “Janeiros como rios”. Seu livro “O sol nas entranhas”, prêmio Status de Poesia Brasileira 1979, traduzido para o italiano com o título de “Il sole nelle viscere”, recebeu na Itália o Prêmio Camaiore Internacional de Poesia 1999. Foi premiado em Portugal com o romance “Roteiro solidão” (1979). No México, seu poema “A miséria dos dias” foi laureado pela revista “Plural”. 

Obteve outros prêmios de instituições, como a Academia Brasileira de Letras, a União Brasileira de Escritores, o Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, o Departamento de Cultura do Estado da Guanabara, a Coordenadoria de Cultura do Estado de Minas Gerais, a Petrobras e o Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, a Academia Pernambucana de Letras, a Rede Milton Reis de Comunicação e a Academia Mineira de Letras.

Colaborou em diversos jornais e revistas, no Brasil e no exterior (revista “Agália”, Espanha, e “Colóquio Letras”, Portugal). Manteve colunas literárias em vários jornais, entre eles, “Última Hora” e “Jornal de Letras”. Pertence aos quadros do Pen Club do Brasil, da Academia Carioca de Letras, da União Brasileira de Escritores, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, da Academia Guanabarina de Letras e do Instituto Sanmartiniano de Cultura.

Sua poesia vai do verso livre às mais rigorosas formas estróficas, métricas e rímicas, por ele recriadas e renovadas, em contínua experimentação, com apoio na paronomásia, na aliteração, na assonância, no enjambement, bem como em alusões intertextuais, associadas à paráfrase e à paródia. De acento ao mesmo tempo grave, envolvente, dramático, reflexivo e oral, esses poemas, com suas vozes, imagens e metáforas, têm profundo conteúdo humano e questionam o percurso existencial, em seu duplo mergulho na introspecção e na realidade concreta.

Confira a entrevista com Reynaldo Valinho Alvarez

Diante da crescente relevância das mídias digitais, que novo cenário se desenha para a literatura brasileira?

Penso que novas camadas de leitores e novos gêneros de obras e autores literários podem surgir e desenvolver-se nessas mídias, em conformidade com as características diferentes que elas apresentam, distintas das mídias convencionais e tradicionais a que estamos habituados.

A constante crítica de que somos um país de poucos leitores interfere de alguma forma em sua atividade?

É preferível ter muitos leitores, e até a universalidade deles, quando eles estão sintonizados no contexto do autor e de sua obra literária. Mas o autor precisa de um público que o aceite e o compreenda, ainda que limitado em número.

O que a literatura de mais satisfatório lhe proporciona?

Proporciona a realização, mesmo que ilusória, de estar tornando sensível e inteligível para o leitor o que há de pessoal, secreto e intransferível em cada ser humano, em especial a dor que só se pode expressar através da voz da obra literária.

Qual é a função da literatura na sociedade?

Na verdade, são muitas ou não é nenhuma, segundo o interesse do leitor. Em minha opinião, é um dos instrumentos mais eficazes de conhecimento e revelação da alma humana.

Um crítico literário deve analisar apenas um poema ou a obra como um todo?

Deve analisar o poema e a obra como um todo. O crítico musical também analisa a interpretação de cada músico e o desempenho da orquestra em seu conjunto.

Uma mensagem aos autores iniciantes?

Testem sua adequação à tarefa a que se dedicam, medindo o prazer e o sofrimento que sentem ao se envolverem com a elaboração da sua obra literária. Vejam até que ponto se comprometem com o que estão construindo. E tenham a coragem de desistir ou prosseguir, de acordo com a resposta que encontrarem.

O que acha da iniciativa de entrevistar/homenagear renomes da nossa literatura, fazendo, além de uma justa homenagem, um fomento entre o autor consagrado e o autor iniciante?

É uma bela iniciativa, digna de todos os aplausos. Unir juventude e experiência é um objetivo sempre útil e desejável. Parabéns pelo êxito, pelo significado e pelo alcance desse propósito.