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Entrevista Rapper Renedy
Entrevista Rapper Renedy

Do subúrbio aos corações nobres

Uma resistência cultural chamada Rapper Renedy

Artista comenta o cenário artístico nacional, revela processo criativo e lançamento de novo álbum

As políticas públicas de incentivo à cultura são falhas, censuradas e distribuídas, na maioria das vezes, apenas com fins lucrativos”

O rap é responsável por grande percentual das produções artísticas, no cenário nacional. O gênero de música popular, urbana, consiste numa declamação ritmada de um texto com características poéticas. Descreve a rotina dos habitantes das periferias pobres. Basicamente, sua expressão defende a distribuição da justiça social, resistência e combate às diversas formas de preconceitos. Imprime papel civilizador, apostando na confluência de linguagens artísticas, impulsiona a cultura hip hop, com ousadia e criatividade.

O goiano Dener Cordeiro de Paula, 26, gestor, bacharel em administração pela Universidade Paulista (Unip), conhecido como Rapper Renedy, distingue-se na cena hip hop. O músico eleva o nível de representatividade do Estado de Goiás, no meio artístico. Detentor de público cativo, e em evolução contínua nas redes sociais, fala do lançamento de seu novo álbum, “Do subúrbio aos corações nobres”, previsto para a segunda quinzena do mês de março deste ano. Renedy é articulador da interação entre a produção artística local e aquelas elaboradas em demais regiões do país.

Confira a entrevista com Rapper Renedy

. Como começou o seu envolvimento com a arte musical? Quais as suas influências?

Eu acho que já nasci gostando disso, desde criança, sabe?! Minha mãe me contou, várias vezes, que eu não podia ver um som, quando eu era criança, que eu queria aumentar ou abaixar o volume, apertar algum botão, ou mexer em alguma coisa que ecoasse música. Venho de uma família de violeiros, onde meu pai e tios se reuniam para tocar e cantar música sertaneja. Cresci nesse meio, e me tornei fã de Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo etc. Mas, quando eu comecei a ver os clipes de rap americano (Eminem, 50 cent, Snoop Dogg, 2 pac…), as músicas do Gabriel O Pensador e as letras do Racionais, tudo mudou, eu vi, que tinha um outro movimento que falava muito mais comigo, do que qualquer outra coisa.

. O que você revela sobre o lançamento e diferencial do disco “Do subúrbio aos corações nobres”? A repercussão, nas redes sociais, referente aos documentários que antecedem este terceiro álbum atendeu as expectativas?

Eu já lancei dosi discos solos de rap, e esse terceiro é o melhor de todos, na minha opinião. Pelo contexto, pela forma como está sendo trabalhado, enfim, pelo profissionalismo e planejamento. A galera da produtora Ode Motion está empenhada e envolvida de maneira engajada, se não fosse eles, nem sei o que seria de mim. Como eu não tive suporte nos outros trabalhos, eu não conseguia profissionalizar tanto, pela falta de recursos. A repercussão do documentário não foi tão relevante quanto imaginávamos, mas independente disso, estamos trabalhando muito para disponibilizar o projeto, da melhor maneira possível! Eu gosto de lançar trabalhos conceituais, que tenham um propósito, e que façam parte da história do hip hop goiano, para daqui 10 anos eu possa olhar para trás e ter histórias para contar sobre a minha colaboração à cultura hip hop, à música goiana e brasileira. Acho, inclusive, que o público de Goiânia deveria consumir mais a arte daqui, tem muita gente talentosa nessa cidade, e as pessoas não valorizam isso.

. Quais fatores foram considerados no momento da escolha do repertório? Há parcerias?

As vivências, mano. Tudo o que eu passei e aprendi eu coloquei nas músicas desse disco, selecionei apenas as canções que fariam as pessoas no final delas refletirem sobre algo, sobre si, sobre a vida! Chamei algumas pessoas que eu sou fã para participarem, e todas aceitaram e somaram com o seus talentos. Agradeço muito a cada uma delas.

. Como você avalia as atuais políticas federais de incentivo à cultura?

As políticas públicas de incentivo à cultura são falhas, censuradas e distribuídas, na maioria das vezes, apenas com fins lucrativos. Esse papo de “incentivo” é meio utópico, principalmente para a cultura hip hop. Os caras inventam e boicotam tudo relacionado ao hip hop, põem dificuldades, e não fazem questão alguma de incentivar. Quase sempre, os manos aqui de Goiânia, e acredito que do Brasil inteiro, têm de apresentar os projetos, e praticamente implorar para conseguir pelo menos um palco bacana.

. No hip hop, a luta contra o preconceito racial e injustiças é evidente. Qual o foco primordial de sua resistência artística?

Meu foco é demonstrar a importância do trabalhador brasileiro, mano. O meu foco é mostrar que os verdadeiros artistas estão no “eixão”, no terminal de ônibus, na periferia e nas rodas de rima. É frisar sempre, para cada pessoa do subúrbio, que ela é importante. Acho que procuro mais levar esperança na minha arte, do que resistência, mas se pararmos pra pensar esperança já é um tipo de resistência.

. Qual análise você traça referente ao cenário musical nacional?

Olha Ronaldo, sinceramente, pouquíssimos me emocionam. Talento é só um detalhe hoje, né? há evolução musical enorme, e uma regressão intelectual maior ainda. A indústria da música brasileira vende momentos, e não mais histórias, isso pode soar como chatice, mas na minha visão é real, saca?! A parte boa é que a galera do rap e do funk estão conseguindo ganhar grana e viver disso, tal possibilidade era quase impossível, anos atrás.