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Entrevista Maria Eugênia
Entrevista Maria Eugênia

rgulho de Ser Brasileira

Maria Eugênia - A goianidade na música nacional

Cantora fala sobre a sua trajetória, comenta a respeito do fazer artístico em tempos de pandemia e revela novidades

"Críticos e outras pessoas já me chamaram de ‘cantriz’, e eu acho que meu diferencial é um pouco esse mesmo”

A diversidade de estilos, instrumentos e canções representam e enaltecem as raízes da cultura musical de origem goiana. Em 2020, a cantora e compositora Maria Eugênia comemora 29 anos de carreira na música popular brasileira. Sempre bastante gentil e simpática, intensifica suas apresentações em lives, neste período de isolamento social, devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A cantora deixa evidente seu orgulho de ser brasileira e goiana, resultado de sua identidade cultural. A artista ganhou visibilidade nacional, ao dar voz à “Companheiro”, de Naire Siqueira e Tibério Gaspar, escolhida para integrar a trilha sonora da novela “Araguaia”, da Rede Globo, em 2010.

Confira a entrevista com Maria Eugênia

. Você estudou piano na Universidade Federal de Goiás. Estudou psicologia, e desde a juventude demonstra interesse pela dramaturgia. Como se deu o seu envolvimento com o canto? De que maneira essas experiências influenciam em sua performance no palco?

Acho que no canto eu junto todos esses interesses, em cada letra eu procuro uma personagem, um momento, uma emoção, para ser interpretado aquele texto que a música me dá. E isso é natural pra mim, porque o canto surgiu depois desses outros interesses todos. Críticos e outras pessoas já me chamaram de “cantriz” por isso, e eu acho que meu diferencial é um pouco esse mesmo. Eu tocava piano, se fosse para olhar a música cantada só pela música mesmo, eu continuaria tocando piano. Eu me encanto por poder “dizer” muitas coisas cantando.

 A música “Companheiro”, tema da novela “Araguaia”, agregou maior notoriedade para o estado de Goiás. Qual o impacto desse projeto em sua carreira?

Durante seis meses, minha voz em uma linda mensagem dentro de uma história que mostrava um pouco das belezas do meu Estado, teve oportunidade de ser divulgada todos os dias para um número muito grande de pessoas. Pareceu um sonho que, além de tudo, nem eu nem outra pessoa, tinha feito nada pra acontecer. Foi mesmo um grande presente. Nessa época, ganhei o apelido de A Voz de Goiás, o que me envaidece muito por ser realmente uma representante do meu Estado, e divulgar tanto os compositores daqui. Isso impulsionou muito minha carreira, e eu me tornei muito mais reconhecida nacionalmente. Mas me mostrou também como nós somos desunidos, como tem gente ciumenta por aqui, e o quanto “a força da grana” é importante para uma divulgação nacional, nesse país continental em que vivemos.   

Em 2018, você lançou o álbum “Fui Eu”, uma releitura de sucessos do rock brasileiro dos anos 80. Quais fatores você e o produtor musical Luiz Chaffin consideram no momento da escolha do repertório?

É sempre uma escolha pela diversidade, para facilitar depois a montagem do show. Nesse CD especialmente, foi uma escolha pelas minhas lembranças afetivas. Mas também pelas músicas que mais se encaixaram na minha voz. O que sempre prezo numa releitura é ter, de verdade, uma outra maneira de interpretar a música sem mudar sua essência, a melodia. E mostrar pelo menos uma música dos meus compositores favoritos dessa época.

. Neste período de afastamento social, devido à pandemia da Covid-19, como está o seu processo criativo?

Estou aproveitando muito... Um processo que eu já tinha começado um pouco antes, de tratar pessoalmente das minhas mídias sociais, tentando superar minhas enormes dificuldades de manuseio dessas tecnologias, estou realmente me superando! Nas minhas lives estou tendo a oportunidade de rever muita coisa do meu repertório, músicas que gravei e nem tive oportunidade de colocar num show. Essa proximidade com meu público faz tudo valer a pena, acho que já estaria louca por não estar cantando, o palco me faz muita falta!

. Os eventos virtuais compartilhados ao vivo nas plataformas de vídeo da internet têm aumentado, devido ao distanciamento social. Para o pós-pandemia, o que você vislumbra como tendência para a música?

. Acho que as lives vão ficar, talvez não tanto como está agora, claro, até porque não substitui absolutamente o contato direto com o público. Mas a possibilidade de divulgarmos nosso repertório de uma forma tão direta é maravilhosa! E o que me agrada também é o público nos ver mais “gente normal”, sem o distanciamento que o glamour de artista nos impõe. Estão abertas e disponíveis ao público todas as tendências possíveis, estão abertos os novos caminhos para trilharmos, de uma maneira mais democrática, talvez. Vamos tentar aproveitar a parte boa...

Quais os projetos e novidades o público pode aguardar?

Sinceramente não sei... Tenho muitos projetos e ao mesmo tempo não tenho nenhum. Estou vivendo um dia de cada vez, dependemos de tantas coisas, que prefiro não ter expectativas. Para o momento tento não ficar doente, e ajudar as pessoas a não ficarem também. Se minha arte está cumprindo esta função, por mim já está bom!

. Lançamentos previstos?

Estou lançando uma coletânea - “Novamente Maria Eugênia”, que traz pelo menos uma gravação de cada CD que gravei. Estou curtindo muito essa oportunidade de rever toda minha carreira, através deste CD e das lives. Estou lançando uma música que gravei, de longe, com Ricardo Leão, “Triste Papel” (João Caetano, Ricardo Leão e Otávio Daher). Acho que a tendência será essa, de lançar e divulgar músicas, e não trabalhos... Há ganhos e perdas nesse processo, mas aí é outra conversa. Veremos, não há caminho de volta!