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Entrevista Francisco Leite Duarte Brasil
Entrevista Francisco Leite Duarte Brasil

emática Sobrenatural

Francisco Leite Duarte Brasil - Literatura além da imaginação

Auditor-fiscal se destaca como escritor literário internacional

Uma história que vai muito além das definições de gênero literário. Aqui, vários deles se encontram e se encaixam de forma perfeita, uma simbiose feliz de estilos que leva o leitor sentir arrepios na espinha, rir de situações adversas, viajar por mundos fantásticos e se emocionar, chegando às lágrimas. O Pequeno Davi é uma daquelas histórias que perpetuam as lembranças de quem o ler".

Shirley M. Cavalcante 

Francisco Leite Duarte Brasil, é auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil, professor da Universidade Estadual da Paraíba, jurista, escritor e poeta. Na literatura, além do aclamado romance de estreia “O Pequeno Davi” (Editora Hibis), escreveu, uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto”, uma coletânea de prosa poética (essa em parceria com Cavichiolli), chamada “Decifra-me ou te Devorarei”, e um romance autobiográfico, “Os Longos Olhos da Espera” (Lura Editora), todos disponíveis na Amazon. 

Confira a entrevista com Francisco Leite Duarte Brasil

Escritor Francisco Leite Duarte Brasil, é um prazer contarmos com a sua participação. Conte-nos o que o motivou a ter gosto pela arte de escrever textos literários?

sse gosto pela escrita, como qualquer afeição mais intensa que se tem por algo, sempre está marcado no nosso eu mais profundo. Desde muito pequeno fui muito curioso por histórias, aquelas contadas por papai enquanto ele se balançava em sua velha rede, ou as expressas em algum livro, revista, jornal ou um pedaço de papel qualquer. O que ali estava dito, escrito ou sugerido, tudo era um mundo novo cheio de fantasias que escolheu minha infância para nela se instalar e me conduzir por toda a vida. Pois foi nos meandres desse encantamento que fiz morada, inicialmente pela leitura, até que um dia, alforriado e agradecido a todos aqueles que eu havia lido, quis caminhar por escrita própria. Então, o meu gosto pela literatura é questão de dom, ou de sina, necessidade, talvez, mas de qualquer forma, sempre um aprendiz. Obrigado, mestres.

O que mais o atrai ao ler um texto de terror?

Vou ser bem sincero aqui. Há, de algum modo, certo preconceito em relação ao texto de terror. Eu mesmo, até muito bem pouco tempo, nunca havia me debruçado sobre esse estilo fabuloso de literatura. Era vítima desse sentimento mesquinho de avaliar as realidades sem compreendê-las suficientemente. Curei-me, muito embora esse não seja o meu estilo preferido de literatura, mas inegavelmente o terror talvez seja, dentre toda a estilística literária, a que mais põe a nu os nossos medos e fobias, nossa aversão mais profunda aos perigos da natureza impiedosa que submeteu nossa ancestralidade às ameaças constantes. É nesse gênero da literatura que as nossas emoções sacolejam o recôndito da nossa alma, talvez daí o medo, a fuga, a aversão.

De onde surgiu inspiração para “O Pequeno Davi”?

“O Pequeno Davi” nasceu de uma brincadeira. De um desafio feito em um grupo do Facebook, que tem por temática o sobrenatural, o terror, o horror e o suspense. Foi em um domingo e eu, naqueles dias em que a mente quer divagar, navegava pelo mundo da internet sem rumo. Cai lá, naquele grupo. O desafio consistia em escrever, ali, na hora, uma pequena história sobre terror. Como já disse, eu estava meio sem rumo, sem vontade de fazer qualquer coisa séria e imaginei que participar do desafio se enquadrava nesse meu estado de preguiça mental. Qual o que! Envolvi-me nessa história de corpo e alma. Ao cabo, essa história incipiente foi muito elogiada pela Marly Hernandes (hoje proprietária da Hibis Editora), pela Jandui Felipe, pela Mag Polar e outros escritores e escritoras que também participavam do certame. Isso ocorreu em finais de 2018.
Até então, tirando um livro técnico sobre direito tributário (“Direito Tributário: Teoria e Prática, Revista dos Tribunais”), eu só escrevia poesia e textos curtos sobre minha infância no Sertão da Paraíba e os expunha no Facebook, que, aliás, se transformou, posteriormente, no livro “Os Longos Olhos da Espera” (Lura Editora).

Esse feito me estimulou de vez a me dedicar à literatura. Entrei em um curso de escrita criativa do “Carreira Literatura”, e caí de vez no universo que, por tantas vezes, eu havia pensado para mim. Foi assim, que em 2019 escrevi uma coletânea de contos chamada “Crimes de Agosto” e pus um ponto final na história de “O Pequeno Davi”, transformando em um romance, uma história linda configurada no universo do realismo mágico e do terror fantástico, ambientada na zona rural de uma cidadezinha minúscula no Sertão da Paraíba de nome Santarém, hoje chamada Joca Claudino.

“Eu desejo para a humanidade a sabedoria daqueles seres humanos que valorizam a vida, a ciência, a verdade, a literatura e que lutam pelos valores da democracia para que sejam afastadas todas as tentativas do autoritarismo”

Apresente-nos a obra 

Um garoto de 14 anos que cresceu absorto pelas histórias mirabolantes de seu avô, se vê envolvido numa trama fabulosa e tenebrosa, quando sua mãe, assim como todos os moradores do seu povoado, desaparecem.
O velho casarão, à beira do Riacho Pé de Serra, e o pequeno Davi guardam segredos, faces e disfarces que podem levar Samuel Contte a trocar sua alma por um olho biônico que tudo vê. É nas cercanias desse córrego magrinho e barrigudo, nascido das biqueiras da Serra do Desterro, onde Samuel e seus irmãos enfrentarão situações perigosas, enigmáticas, curiosas que perpassam do horror à comédia, até que, de maneira inusitada, Samuel se depara com a verdade que permeia toda a trama. Será que Samuel Contte venderá sua alma em troca do olho biônico que tudo vê? Será que o pequeno Davi é um monstro de verdade ou é apenas um garotinho com os cabelos loiros encaracolados, dono dos olhos mais azuis que água marinha, e que brilha como a lua cheia pelo amor infinito de Samuel?
Uma história que vai muito além das definições de gênero literário. Aqui, vários deles se encontram e se encaixam de forma perfeita, uma simbiose feliz de estilos que leva o leitor sentir arrepios na espinha, rir de situações adversas, viajar por mundos fantásticos e se emocionar, chegando às lágrimas.
“O Pequeno Davi” é uma daquelas histórias que perpetuam as lembranças de quem o ler! 

Qual o momento que mais chamou a sua atenção enquanto escrevia a trama? Comente. 

“O Pequeno Davi” contém tantas cenas que estão além da nossa imaginação que fica até difícil de escolher uma delas como representativa, mas como tenho que escolher poderíamos ficar na passagem em que o avô de Samuel Contte, após ser enterrado vivo, por querer e necessidade dele mesmo, se despede do garoto, mas antes puxa para a cova o seu genro e o leva consigo para debaixo da terra. Leia um trecho:
“Mas o fato é que, quando meu avô recitou o último verso “Faminta, absconsa, imponderada cega”, ele, em último esgarço de vida e revolta, subiu em um movimento inusitado. A terra que todos nós tínhamos jogado sobre ele foi sacudida como um terremoto e, como um deus em suspiro redentor, pegou meu pai pela gola da camisa e, com ele, desceu para as entranhas da terra, onde finamente sumiram em um silêncio definitivo. Isto posto, eu joguei a última pá de terra em cima da cova do meu avô e do meu pai e, como para limpar quaisquer vestígios do que sucedeu, o Riacho Pé de Serra que, àquelas horas, já vestira sua roupa de dormir e estava em descanso, agitou-se levemente e lambeu de mansinho todo o solo por debaixo do velho pé de jatobá, depois, deitou-se sereno dentro do seu leito miudinho, preguiçoso, sem deixar vestígios, apenas um envelope de plástico, que depositou aos meus pés.” 

Descreva “O Pequeno Davi” em duas palavras. 

É difícil a gente falar das nossas próprias obras, principalmente quando o tempo transcorrido desde sua publicação é tão curto. Ainda estamos no calor da emoção e sabemos quanto nossa subjetividade gosta de se inclinar favoravelmente em nossa direção. Eu destacaria a mistura harmoniosa de gêneros - não é fácil rir com um livro de terror, pois quaisquer excessos desnaturam uma dessas dimensões; e chorar e horrorizar-se com as cenas bizarras que o livro traz. Destaco também a ambientação, uma cidadezinha no interior da paraíba, e a linguagem escorreita, poética, singular. Mas eu prefiro deixar que outros escritores opinem sobre o livro. Destaco algumas opiniões: 

“Simplesmente o nascimento de um grande autor. A história tem tudo que uma história marcante precisa ter; ótimos personagens, clima, um cenário que se encaixa com tudo. Tudo o que eu disser não é o bastante pra você compreender o quão excelente é este livro. Meus parabéns... recomendadíssimo!” Marcus Demóstenes (Escritor, compositor e videomaker) 

“Francisco é um escritor sem "caixinha". Faz o medo virar choro, o choro virar suspense, o mistério virar riso... Faz até o leitor "terrir" (rir de medo) com seu Pequeno (grande) Davi! Show de livro!” Ricardo Vergueiro (Jornalista e escritor) 

“Livro que nos emociona e nos leva com poesia para o fantástico dentro de características brasileiras. O protagonista nos conquista. Os pontos de virada nos sacodem. Parabéns ao autor.” Adriana Tourinho (Historiadora e escritora) 

“Surpreendente história. Repleta de facetas, emoções à flor da pele. O grande Francisco Leite promete deixar seu nome na história da literatura brasileira.” Sueli EdinaLazari Scatolin (Escritora) 

Onde podemos comprar o seu livro? 

a) Na Amazon
b) No site da Hibis Editora
c) Em João Pessoa, na Livraria do Luiz e nas bancas de revista do Mag Shopping e Pão de Açúcar do Retão
Acompanhe-me no Instagram 

O que a escrita representa para você? Comente como vem se desenvolvendo a escrita em sua carreira literária? 

Como já mencionei, até 2018, eu só escrevia poesias, mas desde 2018 estou em uma febril criação literária em prosa. Este ano, em plena pandemia do novo coronavírus (Covis-19), publicamos vários contos em diversas antologias, além de uma antologia individual de nome “Crimes de Agosto”. Publicamos ainda uma coletânea de prosa poética (essa em parceria com a incrível Lu Pavichioli), chamada “Decifra-me ou te Devorarei” e ainda este ano sai pela Editora Oito e Meio um romance chamado “A Vovó é Loca” e um livro de memórias da minha infância, chamado “Os Longos Olhos da Espera”, pela Lura Editora. Todos esses livros estão disponíveis na Amazon. 

Quais os seus próximos projetos literários? 

Estou envolvido na escrita de um romance chamado “O Sibite Baleado”, uma história também ambientada no mesmo cenário de “O Pequeno Davi”. É a história em que as aves da Serra do Desterro, dada à seca que castiga aquela terra em 1932, resolvem, liderada pela menor ave do sertão - o sibite - saquear a cidade de Uiraúna. Deve sair até junho de 2021.
Também escrevo uma coluna de crônicas no MAISPB, onde publico todas as sextas-feiras. 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Francisco Leite Duarte Brasil. Agradecemos sua participação. Que mensagem você deixa para nossos leitores? 

O final do ano se avizinha. 2020 foi um ano de muito sofrimento. Muitas vidas ceifadas, liberdade reduzida, paradigmas remodelados. Eu desejo para a humanidade a sabedoria daqueles seres humanos que valorizam a vida, a ciência, a verdade, a literatura e que lutam pelos valores da democracia para que sejam afastadas todas as tentativas do autoritarismo. Feliz 2021 para todos