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Entrevista autor Roberto de Barros Freire
Entrevista autor Roberto de Barros Freire

 

 

A união entre filosofia e literatura

Professor quer despertar reflexão crítica a respeito da sociedade de consumo em sua primeira incursão no campo literário

“O livro reúne comentários ou crônicas do cotidiano que abordam as diversas facetas da existência de um mundo alienado e alienante, que escraviza as pessoas às suas profissões e relacionamentos, onde estão todos ocupados em ser felizes, ou melhor, em ter coisas, pois se acredita que a felicidade depende das coisas que se tem”

 

Shirley M. Cavalcante

Roberto de Barros Freire, nascido em São Paulo, capital em 10 de agosto de 1956. Bacharelado (1981) em filosofia pela Universidade São Paulo (USP), mestre (1994) e doutor (1999) em educação pela Universidade Federal de Maro Grosso (UFMT) e doutor (2006) em ética e filosofia política pela USP. Professor na UFMT desde 1985 do Departamento de Filosofia do bacharelado e da licenciatura, e professor do mestrado profissional em filosofia. Além de participar de vários livros com capítulos, publicou o livro “Dez proposições para uma filosofia simples” (2009) pela EDUFMT. “Os muitos ditos e poucos feitos do Dr. Schlack: Compilação e notas de Ruben Stravelsky” é a primeira incursão no campo literário, cuja publicação foi possível por meio de edital da Editora da UFMT, em 2020. É uma tentativa de unir filosofia e literatura.

- São comentários ou crônicas do cotidiano que abordam as diversas facetas da existência de um mundo alienado e alienante, que escraviza as pessoas às suas profissões e relacionamentos, onde estão todos ocupados em ser felizes, ou melhor, em ter coisas, pois se acredita que a felicidade depende das coisas que se tem.

Boa leitura!

Confira a entrevista com Roberto de Barros Freire

Escritor Roberto de Barros Freire, é um prazer contarmos com a sua participação. Conte-nos o que o motivou a escrever "Os muito ditos e pouco feitos do Dr. Schlack: Compilação e notas de Ruben Stravelsky"

O intuito do livro é despertar uma reflexão crítica a respeito da sociedade de consumo. Seguindo uma tradição que se inicia na filosofia cínica, que acredita que a ironia e o riso são mais eficientes para promover o entendimento, o livro visa provocar o riso, escarnecendo os costumes atuais da sociedade do consumo, cuja maior produção é o lixo, seja das coisas que descarta por novas aquisições, seja pela imensa quantidade de embalagem descuidadamente dispensadas na natureza. Há uma chacota da vida atual, na qual as pessoas acreditam ser mais as coisas que possuem que as qualidades individuais que possam apresentar. Além disso, brinca com o fato de que quanto mais se tem, mais trabalho para mantê-las limpas.

Quem é o Dr. Schlack?

O Dr. Schlack é um heterônomo estudado por um outro heterônomo (Ruben Stravelsky). O primeiro é um filósofo cínico e o outro, um estudioso de filosofia. O cínico Schlack carrega certo tédio de ver as pessoas indo da casa para o trabalho e do trabalho para a casa, gastando a vida para possuir coisas, dívidas, passando uma vida escravizada pelas posses, pelos costumes, pelo convívio familiar. Dr. Schlack defende o celibato, acredita que ter filhos é contribuir com a destruição do mundo, pois significa gerar mais um consumidor contumaz a esgotar e destruir a natureza. Seu objetivo é convencer os demais a terem uma vida desapegada dos bens materiais e se dedicarem ao ócio criativo.

Cite algumas peculiaridades sobre Dr.  Schlack que o leitor encontrará ao ler o livro?

Uma das coisas peculiares ao Dr. Schlack é o fato de nunca ter trabalhado, vivendo às custas de sua mãe, do jogo e do descarte que as pessoas fazem após a aquisição de coisas novas. É uma pessoa que vive sozinha, que repugna o casamento, que passa sua vida lendo e debatendo textos filosóficos, escrevendo seus textos que publica no seu blog e no seu perfil do Facebook. Tem mais uma existência virtual do que física, opinando sobre tudo e sobre todos, com sarcasmo, ironizando amigos e conhecidos com suas observações do cotidiano.

Comente um pouco sobre a contextualização geográfica em que o enredo está inserido.

Não há uma localização geográfica específica. Dr. Schlack é um habitante da cidade, um urbanoide, de qualquer país. Não uma cidade pequena, mas um ser da metrópole. Com certeza Dr. Schlack é um fenômeno da nossa contemporaneidade, que necessita da internet, de um computador e do ambiente urbano onde recolhe suas coisas do descarte das coisas usadas dos demais. São os excessos da cidade que alimentam e satisfazem as necessidades mínimas e minimalistas dele.

Apresente-nos a obra.

O livro é composto de textos em sua maioria curtos, que comentam algum evento urbano ou cultural. Cada um dos textos trata de questões próprias e o livro não precisa ser lido em ordem cronológica, podendo o leitor ler aleatoriamente. São comentários ou crônicas do cotidiano, que abordam as diversas facetas da existência de um mundo alienado e alienante, que escraviza as pessoas às suas profissões e relacionamentos, onde estão todos ocupados em ser felizes, ou melhor, em ter coisas, pois se acredita que a felicidade depende das coisas que se tem. Dr. Schlack nos apresenta a sua filosofia cínica aos poucos e em diversas passagens, mas não há uma ordem necessária para ser apreendida.

Qual o momento que mais chamou a sua atenção enquanto escrevia "Os muito ditos e pouco feitos do Dr. Schlack: Compilação e notas de Ruben Stravelsky"?

O que provocou o livro, ou melhor, sua organização, pois boa parte dos textos já estavam escritos, foi a pandemia da Convid-19, a partir de março de 2020. O fato de estar recluso em casa, praticando o distanciamento físico, pois as atividades docentes continuaram de forma telepresencial, possibilitou a dedicação ao livro que aguardava o momento oportuno para sua conclusão. Achei que num momento de tanta tristeza e infelicidades devido a pandemia, seria bom algum humor. Espero que se divirtam com o livro, tanto quanto me divertir escrevendo-o.

A quem indica leitura?

O livro não é direcionado a um público específico. Apesar de possuir um conteúdo filosófico acentuado, ele não exige nenhuma especialização filosófica para a sua absorção. Pessoas extremamente moralistas talvez possam se chocar com algumas passagens, pela defesa às vezes contundente de alguns princípios amorais, mas o humor deve amenizar essa impressão. Espero ter deixado claro que estou mais zombando das coisas do que defendendo algum princípio rígido.

Onde podemos comprar o seu livro?

O livro pode ser obtido gratuitamente, na editora. Clique aqui.

Quais os seus próximos projetos literários?

Estou preparando um livro de filosofia que espero terminar ainda nesse ano, e mais um livro de literatura, com outro heterônomo, também de humor, que pretendo terminar em breve.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Roberto de Barros Freire. Agradecemos sua participação. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Espero que apreciem a leitura do Dr. Schlack, que possam se divertir com as passagens irônicas e sarcásticas que ele contém. Se gostarem, recomendem aos amigos, se não gostarem, recomendem aos inimigos.